O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
- 09/06/2026
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A medida foi adotada após o registro de 42 casos de reações adversas mais severas entre os mais de 500 mil imunizados em todo o país.
Segundo a pasta, três pessoas precisaram ser hospitalizadas e duas delas morreram. Apesar disso, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que ainda não é possível estabelecer uma relação direta entre os casos e a vacina, mas afirmou que os episódios serão investigados por especialistas.
“A descontinuidade tem caráter preventivo para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan possam aprofundar a investigação desses casos e identificar possíveis fatores de risco”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.
A suspensão atinge exclusivamente a vacina produzida pelo Instituto Butantan e não interfere na aplicação da Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e utilizada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde a incorporação do imunizante do Butantan ao SUS, em janeiro deste ano, cerca de 500 mil doses foram aplicadas em municípios-piloto, como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO). O público-alvo da campanha inclui pessoas entre 15 e 59 anos e profissionais da atenção primária à saúde.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, 3.703 pessoas vacinadas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos imunizados. Desses casos, 42 desenvolveram sinais de alerta, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos, representando 0,008% do total de vacinados.
Entre os três casos considerados graves, uma mulher de 39 anos apresentou quadro de dengue grave e precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas recebeu alta posteriormente. Uma mulher de 48 anos, que desenvolveu complicações neurológicas, e um homem de 58 anos, que apresentou choque refratário, morreram após a evolução da doença.
Os casos foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendaram a suspensão temporária da vacinação.
Segundo Alexandre Padilha, pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias terão acompanhamento especial para monitoramento de possíveis reações adversas.
O Ministério da Saúde enfatizou que a interrupção da estratégia não invalida a eficácia do imunizante e que as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue. Durante o período de suspensão, serão investigados fatores de risco individuais, histórico clínico, doenças preexistentes, possíveis desvios de qualidade e eventuais erros de imunização.
Fonte: Ministério da Saúde.
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